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Segunda-feira, Julho 31, 2006

Este blog...

...continua dentro de momentos, aqui. :)

Quarta-feira, Julho 12, 2006

A cebola que todos temos cá dentro

....Como boa preguiçosa assumida que eu sou, tenho tendência a não mexer um dedo a menos que seja absolutamente imprescindível. Isto leva-me geralmente a duas coisas: a agrupar tudo o que tenho que fazer de modo a não ter que ir ao mesmo sítio quinze vezes; e a manter-me calada sempre que o que ia dizer é, em segunda análise, algo completamente dispensável para a minha felicidade ou para o bem do Mundo em geral. Chamo a esta preguiça a minha "ecologia interna", porque me permite poupar muita energia (e tempo).
Mas isto para dizer que ao longo dos anos, fui-me tornando cada vez mais calada. Deixei de abrir a boca para dizer coisas que se destinassem a transmitir mensagens subentendidas sobre a minha pessoa, a influenciar as ideias dos outros no sentido que me convinha, ou apenas para falar do tempo. Por outro lado, passei a dizer as coisas da maneira mais clara e prática possível, explicando logo se estava a pedir algo ou porque é que tinha a opinião que tinha. E assim, passei a dar grandes cabeçadas na minha relação com os outros. Primeiro, porque me exaspero facilmente quando tenho que "descascar" a conversa porque andam com rodeios a tentar transmitir-me alguma mensagem subliminar. E depois, porque caí no erro de achar que todos os outros são tão directos como eu, e assim apanhei grandes baldes de água fria ao ficar convencida que certas pessoas são realmente a catrefada de virtudes que dão a entender nas primeiras conversas e depois deparar com actos que não seriam nada esperados (a menos que se fosse uma totó ingénua como eu, está claro).

Tudo isto me faz estar cada vez mais rodeada de pessoas excelentes, que são desapegadas das coisas e das palavras e que têm o mesmo objectivo que eu, de evoluir e aprender com a Verdade, em vez de a moldar às conveniências. Mas apesar destas com quem aprendo a conhecer melhor o Mundo e a Realidade, estou um pouco farta de ter que "descascar" pessoas, de conversas que dizem uma coisa e querem significar outra, e principalmente de ter que escavar através do ego das pessoas para poder falar directamente com elas.

*Suspiro*. Apesar de tudo, só tenho razões para me sentir Grata. Nem que seja pela preguiça. É que sentir frustração ou revolta não vai mudar nada.

Domingo, Julho 02, 2006

Conhece-te a ti mesmo


Sexta-feira, Junho 09, 2006

Ego

Hoje o meu namorado disse:

- Ego...bom nome para um gato...Ego vem cá

O que seria um bom ponto de partida para dizer, legitimamente:

- O Ego esta crescido
- Ego sai de cima da gata
- Olha o cão a correr atrás do Ego
- Chama os bombeiros, o Ego tá no telhado
- Olha o Ego a incomodar as visitas
- O Ego fez chichi nas flores
- O Ego tá inchado, tem k comer menos
- Vamos castrar o Ego, que ele anda insuportável
- O Ego arranhou-me
- Cala-te, Ego
- Não dês comida ao Ego quando estamos à mesa
- Ego vem à dona
- Raio do Ego farta-se de largar pêlo
- Ego sai de cima do sofá
- O Ego fugiu de casa
- Ego nao arranhes o sofá
- Olha o Ego no canário
- O Ego fartou-se de me acordar durante a noite
- Dá de comer ao Ego k ele nao se cala
- Vê lá se o Ego tem água que chegue
- O Ego tem que ser escovado hoje
- O Ego escapuliu-se para a rua

...... (já estão a ver como se vai chamar o próximo gatinho, não é?)

Sexta-feira, Junho 02, 2006

Ubi caritas et amor, Deus ibi est.





"Onde estiverem a caridade e o amor, Deus também está"

Ontem um amigo mandou-me esta frase. Ele é um católico convicto da sua prática, e eu não. Nem por isso alguma vez deixámos de falar a mesma linguagem, que é a do coração.

Nos últimos dias veio-me recorrentemente à memória um dos meus livros preferidos: "Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei", do Paulo Coelho. Não é um dos meus escritores preferidos, mas os seus livros são todos tão diferentes que nem sei se ele consegue agradar inteiramente a alguém com a miscela que é a sua obra. Na verdade, este foi o único livro dele que me moveu, mas conseguiu fazê-lo de uma maneira que mal acabei de o ler liguei o computador para escrever um email ao autor, e surpreendentemente ainda acabei por trocar uns emails com o Paulo sobre isto. Isto já foi há 6 anos, e nunca mais voltei a pegar no livro, mas lembro-me da história como se a tivesse lido ontem.

Curiosamente, é dos livros do Paulo Coelho ao qual as pessoas menos ligam e aos fãs a quem falei, a maior parte dizia que sim, tinha-o lido, mas sinceramente nem se lembrava dele. Talvez porque é dos poucos livros do Paulo onde não entra a parte mística. E talvez por causa disso a maior parte das pessoas descartou-o. Porque o seu coração não é algo suficientemente mágico para as arrebatar.

Este post é dedicado a uma pessoa que sabe que me é muito especial, mas que desaprendeu a ver a magia que habita em tudo o que o rodeia. Para ti, que cada obstáculo seja apenas um instrumento da tua evolução. Que vejas nos erros das pessoas um Deus que ama o suficiente para as deixar errar. E que eu possa semear flores ao longo da tua vida. Um beijo*.

Sexta-feira, Maio 26, 2006

Romanticida

***********************
Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso - Expresso )

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser,por isso, incompreensível.
A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro.Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa.Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas, da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo deantemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado.
Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica decamaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vezde se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. N
unca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo, de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tábem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona?
Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso"dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes.
Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A"vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino.
O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.
A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder.Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

(Amen)

Sexta-feira, Maio 19, 2006

A meio caminho entre o macaco e o ser humano



Independentemente de todos os argumentos (tradição, e os touros já se tinham extinto, adrenalina, bla bla), aquilo que vai dentro de uma pessoa que se baba de gozo a ver um touro ser espetado com ferros só pode ser negro, violento e distorcido.

Já tive exemplos práticos disso quando fiz um post sobre as touradas (olha eu que até sou ribatejana e que as conheço bem e aos que as fazem, vieram-me tentar dar lições sobre elas!) e tive uns 50 comentários de aficcionados raivosos a chamarem-me coisas dignas da mãezinha deles. São tão boas pessoas, os aficcionados... aliás, qualquer pessoa que aprecia ver um bicho a ser ferido é de certeza um amor cheio de sentimentos de carinho para com os outros seres vivos, não é óbvio? Também já tive outros exemplos em aficcionados que têm a mania que são "pessoas bem" mas quando soltam a franga mostram o verdadeiro carácter agressivo que têm lá dentro e descem mais abaixo que os vermezinhos da terra. Bem, quanto a isso, cultivem na vossa vida as coisas que lá querem ter, e depois aturem-nas, é problema vosso.

Anyway, só queria lembrar-vos de uma coisa. Quem é cruel para os animais raramente pára por aí. E nesta, já tinham pensado? ;)

Fotos de um povo em evolução para melhor (obrigado Portugal por isto!) aqui.



Às vezes em sonho triste
Nos meus desejos existe
Longinquamente um país
Onde ser feliz consiste
Apenas em ser feliz.

(F. Pessoa)


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mai nada!


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